Sabe aquela história de que “de grão em grão a galinha enche o papo”? No mundo da política radical, o ditado é mais sombrio: de pauta em pauta, um movimento aparentemente comum pode virar um grupo extremista antes mesmo de você perceber o red flag.

Muitos movimentos começam com bandeiras que soam “justas” ou “coerentes”. O problema é a escada: conforme pequenos objetivos são alcançados, o desafio aumenta e o discurso radicaliza. É o que chamamos de “efeito ladeira abaixo”.

O exemplo que vem das telas (e da vida real)

Se você quer entender como isso funciona na prática, precisa assistir a “A Ordem” (The Order), disponível no Prime Video. O filme, lançado em 2024 e que continua super atual em 2025, mostra como a extrema-direita opera um roteiro perigoso:

  1. A Isca: Pega-se um instinto humano básico (como a preservação da espécie).
  2. A Distorção: Transforma-se isso em discursos radicais, como o controle total sobre o corpo da mulher.
  3. O Salto para o Ódio: Rapidamente, adicionam temperos supremacistas, como a ideia absurda de que a “miscigenação enfraquece a raça”.

Cena de ‘A Ordem’ (à esqu.) e Bob Mathews (à dir.) – Divulgação e Getty Images (Fonte: Site Aventuras na Historia)

“Ele soa como nós”

David Duke é conhecido por defender a supremacia branca e negar o Holocausto (Fonte: BBC News Brasil)

Aqui no Brasil, vemos esse movimento rolando sob o guarda-chuva confortável do “conservadorismo”. Mas as máscaras caem rápido. Lembra em 2018, quando David Duke, ex-líder da Ku Klux Klan, disse que o movimento bolsonarista “soava como eles”? Pois é. Quando o maior símbolo do racismo mundial te elogia, é hora de acender o sinal vermelho.

Vale muito a pena lembrar que em 2018 quando David Duke fez esse elogio a Bolsonaro, o movimento Bolsonarista era composta pelo MBL, pessoas do centrão como Eduardo Cunha e todos atuaram para eleger Bolsonaro como presidente.

Assim como no filme, o que começa com ações pequenas e discursos em redes sociais vai se organizando, ganhando corpo e partindo para ações graves conforme o grupo cresce e se sente impune.

Por que assistir “A Ordem”?

O filme não é só entretenimento, é um alerta. Ele conta a história real da Brüder Schweigen (Irmandade do Silêncio), um grupo neonazista dos anos 80.

  • A trama: O agente do FBI Terry Husk (Jude Law) persegue Bob Mathews (Nicholas Hoult), um líder radical que roubava bancos para financiar uma guerra contra o governo.
  • O perigo real: O grupo foi responsável pelo assassinato do radialista Alan Berg e se inspirava em livros de ficção supremacista para cometer crimes reais.

A reflexão que fica para 2026 é: movimentos extremistas não surgem do nada com uniformes de vilão. Eles nascem nas entrelinhas, nas pautas “veladas” e na nossa distração.

Assistam ao filme e fiquem de olho no feed: o extremismo adora um perfil com aparência de “gente de bem”.